Nele

by cecilia Erismann

Ele estava semi-sentado, semi em pé,

Ele estava ao meu lado.

 

Ele comentava sobre os trabalhos, comunidades, novidades.

Ele escrevia algo no seu caderno.

 

Ele movia as mãos muito rápido,

Ele estava parado.

 

Última apresentação: visibilidade,

O invisível…

 

Ele questionava a ficção das fotos na internet,

Ele não sei no que pensava.

 

Ele olhava para frente, falando da ambiguidade e eficiência da projeção feita em Gaza,

Ele coçava a barba, concentrado.

 

Ele questionava a relação entre as fotos de Gaza e as do campo de concentração,

Ele mudava de posição: braços na mesa, caneta na mão.

 

Ele pensava na politização e ação da imagem em Gaza.

Ele olhava o que eu escrevia.

 

Curiosidade: da imagem, da palavra.

 

Ele confessava que não trabalha mais tanto com essa inundação da imagem relacionada a ficção,

Ele olhava para ele, para mim, para ele.

 

Ele pensava alto na ideia da grande circulação das imagens,

Ele escutava atento, sentado.

 

A grande questão: qual a conexão entre a visibilidade e a circulação das imagens,

Aquelas imagens que circulavam dele para ele…

 

Eram elas livres?

Livres, no mesclar das minhas palavras:

 

Ele, realidade

Nele, ficção.

 

E no meio das imagens que se criavam no espaço dele para ele,

Na minha última imagem, a grande questão.

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