Dizíamos de nós.

by cecilia Erismann

Mas como dizíamos – dizíamos tanto!

Os sons iam saindo das nossas bocas,

Sem nunca chegarem ao olvido.

O som mudo ressoando no oco do nosso amor.

Eu julgava nosso amor oco –

Não percebia que nas palavras mudas,

O vazio não era nosso – aquele vazio era só meu.

Nós? Nós existíamos, ríamos, éramos mais que dois.

Nós não éramos o vazio, o oco, o roco.

Éramos o doce balanço das marés…

Vazia, ah… Vazia era eu, que agora choro em corumbá.

Foi nos anos, como nas ampulhetas,

Que havia eu deixado um-a-um,

Os grãos do nosso amor se derramarem como arreia.

Hoje revisito as palavras que antes julgava mudas,

E como dizíamos! Ah, dizíamos tanto!

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