Última estação

by cecilia Erismann

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 Photo by Paulo Bessa

Nas horas que meu avô dedicou,

Às nossas vidas naquele balanço,

Das histórias que eu nunca ouvi…

Ele se foi, bem antes de eu vir.

 

Naquele riachão que era o São Francisco,

Naquela seca que era o meu Sertão –

Não o grande – o Grande Sertão sempre foi de Guimarães,

O meu era o pequeno, Pequeno Sertão de meu avô.

 

Nas paisagens de minha vida,

Por onde andei – por onde vou…

Sempre fui para onde o mar me levou – me leva – vamos juntos…

Dizem que a vida do sertanejo está no caminhar.

 

O meu caminho sempre foi o mar,

Meu assunto é no vai e vem de Iemanjá,

Ana Rosa, ah… Mas que saudades!

Do dia que eu fui sem você – para onde nunca cheguei.

 

Hoje, minha cabocla, sou só eu e o mar – é o mar e eu…

A minha Rosa não é mais é tua, Ana,

Ana Rosa não é mais nome de moça,

É recordação das terras por onde andei,

 

Dos amigos que um dia eu deixei,

Na fumaça do navio que me levou,

Dos sertões de Guimarães e de meu avô,

Longe de casa – sem cangote, nem macaxeira

 

Agora só me falta mais uma estação,

Dessa vez eu bato asas – vejo navio de longe,

O mar encharca o meu sertão,

E assim indo – todo o tempo para mim é pouco…

 

Essa parada é minha nova rosa,

Nessa parada, minha última estação.

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